Roda Gigante por Doña Flor
A
cada nova volta,
Vinham sonhos repetidos
Ia,
voltava, inebriada
(e esquecia).
Ia, desembestada
voltava, entristecida,
(sono de esquecimento).
Ia, afobada
depois voltava, rabo entre as pernas
(amnésica crônica).
Mais tarde ia,
procurando
e então voltava,
sem achar.
Um
dia a volta parou no meio.
Reconheceu,
atônita, o caminho.
Como quem encontra um colega bobo de infância
Chato, torpe e feio.
Virou
o rosto, trocou de calçada,
Tomou outro rumo.
E
conservou-o apenas uma figura disforme em foto sépia
De olho fechado, sorriso fechado,
Álbum fechado.