Sou
estrangeiro.
Sou eco, som,
pensamentos de ninguem.
Sou um verso de Pessoa.
E Caetano, Elba, Alçeu?
Sou eles?
Um instante de Clarice?
Só uma palavra de Clarice?
Sou as leituras do sertão,
um rumor de Grande Sertão.
Sou uma voz da cidade.
O grito de Cazuza,
o dulçor de quem sabe quem.
Sou isso, apenas isso,
e nada mais,
sem corpo, sem sangue,
estrangeiro.
Sou ninguem:
sou o silenço sò.