ele me deu uma rosa quando não havia mais jardim.
não valeu, mais doeu
a terra que restou estéril
arbustos retorcidos
fina camada de grama verde-pálida
e agonizante
foi dias antes do último suspiro.
à rosa, troquei-lhe a água diariamente
linda, púrpura
tanto desejada
em tempos mais verdejantes
até que um dia encontrei murchas
duas pétalas.
entendi que o processo seria lento,
no tempo das rosas,
mas implacável
chorei.
troquei a água,
em um masoquismo alheio.
arranquei as pétalas moribundas
e chorei na sua aspereza
no seu vermelho sem viço.
o resto da rosa ficou no copo
aleijada
emborcada pelo peso
do seu cansaço sobrevivente
quanto tempo se passou desde que desisti
e fechei os olhos
para não ver?
vivemos de sobrevida
o tempo das rosas
dos nossos sonhos
despetalados.