>> IR AL ALTILLO
El barrio


PRINCIPAL
LA SALA DE ESTAR
EL ESTUDIO
EL PATIO DE ATRAS
LA COCINA
EL BARRIO
 
Descargar archivo

Há cidade onde há o velho e a cidade por Luciano Fialkowsky
Há o que vê nele um velho bloco de barro
Há o que nele encontra um Sábio


Hay un momento en que el padre de familia, ese padre al que los hijos aún pequeños temían y respetaban, encuentra la vejez. También, a menudo -sobre todo en Occidente- cae en el olvido y en la indiferencia de sus congéneres. Es arrastrado por las generaciones que lo suceden, desplazado. Paradójicamente el peregrinaje trascendental de ese hombre, peregrinaje que va desde ser un "padre de familia" a constiturse en su vejez en "padre de una comunidad"; encuentra más el destino de un exilio que el de la valiosa integración cultural que podría favorecer su profundo saber y su dilatada experiencia.

Pintura: Plaza de Mayo -- Ariel Mlynarzewicz


El autor nos envía su poesía con la siguiente reflexión:

Ao escrevê-lo lembrei de meu pai, com 87 anos, que mora numa cidade do interior, e que foi um dos primeiros habitantes daquela cidade. Ao escrevê-lo me dei conta que quando somos adultos e já temos filhos, nossos pais, se ainda estão vivos, se tornam para nós "pais comunitários", não nos pertencem propriamente da mesma forma de quando éramos crianças ou jovens. Quem comemora o Dia dos Pais familiar são os netos, nossos filhos, enquanto nós adultos refletimos sobre nossa condição de pais. Parece que há então uma passagem que a comunidade não percebe, de que seus velhos habitantes são "pais comunitários", e por isso fontes de sabedoria para as gerações que desabrocham atrás de seus passos. Situação que se diluiu na modernidade, principalmente no Ocidente. Na verdade, há uma ocorrência que torna cada idade, cada etapa da vida, seu modo próprio de existir: as crianças brincam distraídas e nada percebem para se dar conta dos velhos; os jovens expõem sua beleza nas praças esquecendo sua infância, nada indicando que percebem o velho; os adultos cuidam de seus sonhos, e os velhos são os que não recebem o olhar dessas gerações que os sucedem, senão como o espírito que os perpassa; como sendo esta a estranha condição para ser um velho. Por isso, parece que há um movimento necessário do próprio velho, de ir buscar o laço com as gerações dos adultos, dos jovens e das crianças, como um estrangeiro em seus tempos, movimento que parece muito penoso porque inverte a flecha de seu próprio tempo. O velho pode ficar numa posição de espera e nada acontecerá, porque a criança brinca, o jovem passeia, o adulto trabalha e não percebe o velho como a existência enquanto aquele que funda o devir dos demais; gera o modus vivendi que perdura nas gerações que vem vindo. Quer dizer, ele está presente na vida da cidade, da comunidade desta forma que também não é percebida. Está aí, me parece, uma questão para nós psicanalistas, acerca da participação 'espiritual' e metafórica dos velhos no tempo das gerações, para além da pessoa do velho, como aquele que se abandona de ter sido, podendo se abrir para ser comunitário, quando já passou deixando marcas que não alcança.
Foi o que me surgiu na forma do poema que lhes envio para nossa já saudosa interlocução. Como algo que se encontrava na sarjeta de minha rua, e que só se moveu com a passagem do vento do poema.


HÁ CIDADE ONDE HÁ O VELHO E A CIDADE
Há o que vê nele um velho bloco de barro
Há o que nele encontra um Sábio


O vento da madrugada espera alçar o dia, para soprar na manhã.
E esta manhã será o amanhã da força maior que traz seu sopro para as gerações de uma cidade.
O que traz em sopro é força que gira sobre as árvores, as pessoas, sobre a cidade e sobre os navios.
Mais e mais sobre os velhos troncos, sobre velhas carroças,
Sobre velhos homens que caminham arquejados atravessando o dia.

Não tem o vento uma parada.
Escapa rente às casas, assovia nos telhados de tabuinha e,
Como um forasteiro que chega à cidade, parte sem deixar pista, nem pede pousada.
Nas estradas, a força do vento limpa os barrancos e valetas,
Nas cidades arruma os ciscos na sarjeta das ruas. Vento.
Uma coisa tão assim sem beira nem fundo, nem fora nem dentro.
Por isso se comparara ao espírito das coisas maiores e dos grandes homens.
Como no Gênesis (1,2): "no começo, nada havendo, somente o Espírito de Deus pairava sobre as águas".
Poeta que escreveu, tomado por esse vento do espírito,
Como a força que o empurrou para a Criação do Mundo e tudo o que nele se move.

Quando chove, bem sabemos que a chuva não são os pingos, a chuva é o tempo que está molhando.
E o vento logo se apressa, e o que se vê são os pingos empurrados para dentro das varandas.
Assim é o espírito nobre de homens que sopra sobre uma cidade sua força invisível.
Às vezes, só se percebe quando já passaram,
Deixando uma estranha força como sua sabedoria.
Que, quanto mais invisível, mais sopra; quanto menos percebida mais move corações.

Porém, há os que estão ainda vivos por aí.
Voam como pássaros desatentos
Com seu espírito ágil e seus passos lentos.
Distraída, a cidade flui e se renova
O curso dos rios diploma os caminhos das lavouras.
As mudas de novas plantas recobrem beiras dos mananciais e os celeiros.
As crianças conversam e brincam desligadas.
Exuberantes os jovens inundam de beleza os olhares nas praças e calçadas.
Os adultos põem combustível na máquina que inventaram para seus sonhos e suam.
Mundo inquieto segurando as pontas das lonas dos acampamentos
- eis que volta o vento quando menos se espera com sua força, porém de onde ninguém sabe.
Como a sabedoria de um velho sobre a cidade.
Sobre as gerações, as crianças, os jovens, os adultos que suam por seus sonhos...

Há paz no horizonte, mas a espada está com a sabedoria.
Que falqueja nos dias de criança, de jovem e de adulto, o velho
Que agora assombra na humildade de um Espírito Nobre.
Por isso, não cobre do velho mais que ternura
De ser a lança gasta que se recolhe para deixar sua força agir no tempo que passa e nem se percebe.
O que o vento da vida lhe brinda cai suave como sopro invisível sobre a cidade.
E as pessoas que a habitam talvez nem percebam que é ventania.

Quando acabo de produzir esse escrito bloco de barro, fico pensando:
Quem olhar com cuidado, encontrará nas entrelinhas de sua cidade,
Parecendo velhos blocos de barro esses sábios - feito vento que vai.

Copyright © 2008 - Todos los derechos reservados -